
Terça-feira, Fevereiro 09, 2010
Indicação de blog

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010
Pardo é cor de bicho
Sábado, Janeiro 16, 2010
Dentro da Noite
Terça-feira, Janeiro 05, 2010
Conto - Dara
Pra começar o ano
Sábado, Dezembro 05, 2009
De agora em diante
Há um momento em nossas vidas que algumas questões se perdem e perdem importância. Palavras, amor, a pressa, o carro no mecânico, a próxima sessão no cinema, o emprego, alguns amigos, o computador levado pelo menino que mora na rua. A partir de então há outros momentos que nos interessam, e questões que perdem suas importâncias nesse meio tempo.
Buscamos tantos motivos sem os querer encontrar.
Perde-se importância um amor perdido de anos e anos, que valeu à pena numa outra ocasião, quando promessas faziam sentido e havia algum significado no olhar, mas hoje está tão longe que não dói durante lembranças que nos tomam no final da tarde, quando o sol ameaça se pôr, todos querem voltar para casa e nós caminhamos absortos entre pressas e sinais abertos.
Já não tem mais importância amizades que se perderam em momentos que poderiam ter estreitado laços. Pessoas que não se dão mais importância, então, já não importam mais.
Pensamos no ponto de partida e o rumo antigo de tudo que ficou para trás se abre novo.
De agora em diante o tempo é só uma miragem. Transforma a perda num instante bom e o vento sopra a nosso favor. Olhamos adiante, o pensamento está em paz, o acaso ao nosso alcance. E há tantas palavras novas a desvendar. Tempo, folha, jardim, vida, relógio, pedra, infinito. E o que importa na verdade são os segundos que antecedem.
E o mundo se mostra novo. Miramos o tempo e ele permanece o que era. O que se esvaiu se perde no limiar de um novo amor, de outros versos. E há questões que se perdem e perdem importância. Outro amor, um beijo, outro jeito de olhar o tempo, a moça que passa do outro lado da rua e não percebe que a olhamos.
Entre seu mundo e meus olhos.
Hoje sabemos de muita coisa que não conhecemos ou esquecemos que existe um começo, um fim, um intervalo, um recomeço. Escrevemos o que não foi vivido. Escrevemos o que outros já escreveram. Personagens são apenas palavras. Palavras que se transformam e não interessam tanto. Hoje sentimos falta de tanta coisa que não tivemos e nunca nos fez falta. Horas, palavras, honras, fotos, frases, o que penso, devaneio, infinito, mãos atadas, dezembros, sorte, amor, o nada, fim...
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Convite - Caleidoscópio
Foi quase sem querer que assumi a direção cênica de Caleidoscópio. Devagarinho, entre uma conversa despretensiosa e um palpite atrevido, entre uma visita e outra à sede da Academia Libre Cantare. Já estava feliz e empolgado por saber que estavam montando em Itabirito um concerto contemporâneo, tanto na escolha do repertório quanto em sua essência. Retrabalhando o formato e o modo de conduzir o trabalho.
Sempre prezei pelos bons espetáculos que usam o e
xperimento como concepção não importando o segmento ou a linguagem utilizada, principalmente os que dialogam com outras linguagens. O teatro, que é minha área de formação, sempre fez uso de outros artifícios para se constituir como obra de arte, seja no uso da música, dança, circo, vídeo ou literatura. O que tenho visto, de uns tempos para cá, que estas outras áreas têm se integrado na construção dos mais diversos tipos de espetáculos. E o que seria, talvez, impensado como quebrar a forma clássica de um coral, nas mãos de artistas como o Leandro Dantas, tem tomado uma outra dimensão que me agrada muito. É o caso desse concerto. Caleidoscópio aponta um caminho muito maduro para o Libre Cantare com um repertório que trafega entre o erudito e o popular de forma a não destoar nas mãos desse maestro que mostra conhecer bem cada voz que compõe seu coro e o potencial de cada um dos seus cantores.
Caleidoscópio apresenta um repertório com composições do século XX e XXI, misturando músicas inspiradas em universos distintos, como Minas Dentro do argentino radicado
Sinto-me honrado e especialmente feliz por fazer parte desse trabalho assinando a Direção de Cena, estando ao lado de nomes como o do Maestro Leandro Dantas e mais uma vez trabalhar com o grande Artista Plástico Walter Martins que está paramentando toda a obra.
Serviço:
Evento: Academia Libre Cantare - Caleidoscópio
Local: Casa de Cultura Maestro Dungas
Data: 07 de novembro
Horário: 20:30 horas
Valor: R$ 5,00 (preço único)
Informações: 31 3561-0044
Segunda-feira, Outubro 12, 2009
Música - Érika Martins e Julieta Venegas

Acabo de ver o vídeo clipe oficial da música Lento da cantora mexicana Julieta Venegas na voz da Érika Martins com participação da própria Julieta. Depois de 5 anos do fim de Penélope, banda que lançou Érika no mercado, o disco Érika Martins aparece como boa opção para os fãs do bom pop/rock nacional. Das 12 músicas 9 são de autoria da própria Érika e das regravações podemos conferir Lento que é uma das minhas músicas favoritas dentre todas as canções da Julieta. O clip até que ficou legalzinho.
Érika Martins não é das minhas preferidas, embora goste muito e ouço bem as coisas que ela canta. Ela costuma fazer versões sóbrias de músicas que gosto. Uma que me agrada muito é a versão de ‘Quem sabe’ do Rodrigo Amarante no CD Rock, Meu Amor ainda no tempo do Penélope. E deste mesmo CD podemos ouvir a não tão boa versão de Inbetween days do The Cure que virou Sem Você em suas mãos, mas para compensar podemos ouvi-la em inglês mesmo com o Hebert Viana no disco O som do sim.
Às vezes, acho que ela ainda deva fazer suas versões de músicas mantendo a língua original. A versão em português de Lento não me convenceu muito, embora o arranjo seja bacana, bem a cara da Érika.
Versões de músicas em outras línguas transpassadas para o português é comum, mas poucos artistas conseguem fazer bons trabalhos. Dentre estes poucos, acredito que só a Zélia Duncan tenha sensibilidade suficiente para dar a qualquer boa-velha-conhecida-música cara nova. Mas este assunto fica para um outro dia.
Quanto a Julieta Venegas, eu a conheci por acaso na ocasião do lançamento do CD Conector do colombiano Hector Buitrago em 2006, cuja Julieta fazia uma participação. Depois disso fui atrás dela na internet e me apaixonando a cada música que ou(via) no youtube, como Lento, Limón e sal, Me voy, Amores Perros, Eres para me, Por que te vas? entre tantas outras.

Ele tem se aproximado do Brasil pouco a pouco e entrando pela porta da frente. Este ano com a Érika Martins, mas em 2006 ela participou do MTV Acústico do Lenine dividindo os microfones com ele em Miedo e ano passado no seu próprio Unplugged teve a participação de Marisa Monte
Sábado, Outubro 10, 2009
Não basta apagar o fogo...

Quarta-feira, Outubro 07, 2009
Saídas Estratégicas

Admiro estas pessoas que se levantam em meio a apresentações de espetáculos, ou mesmo filmes e shows e voltam para suas casas (ou seja lá para onde vão) abandonando completamente o programa que passaram a semana inteira na intenção de ver. Já presenciei várias destas manifestações silenciosas de repulsa, algumas inclusive em trabalhos assinados por mim.
Na verdade eu venho colecionando estes pequenos repúdios desde a faculdade. Não que meus espetáculos sejam ruins, mas, pelo contrário, eu assumo alguns riscos que alguns espectadores não compram. Quando montei ‘A Intrusa’ de Maeterlink, usei como espaço de encenação o porão de uma casa centenária
Alguns espectadores já saem de suas casas com expectativas criadas sobre o que irão assistir, se é comédia é pra rir, se é drama é pra chorar e pronto. Não sei se isso foi causado por alguns melodramas baratos ou por produções ruins de teatro e cinema, mas o fato é que muita gente não embarca na ‘viagem’ do diretor e acabam se decepcionando com uma intenção a mais ou alguma metáfora além do esperado. Caso do filme ‘Trainspotting’ do diretor britânico Danny Boyle, quando o ator Ewan McGregor, durante um delírio, luta desesperadamente contra uma privada. Pelo que se sabe boa parte da platéia desistia do filme exatamente nessa hora. Outros, mais atentos, compravam a idéia e assumiam os riscos de chegarem até o final.
Eu sou daqueles que fica até o fim, não importa o quanto ruim seja a atração. agora, seu eu me levantar, pode ter certeza, ‘a coisa’ é ruim mesmo. Presenciei certa vez uma retirada em massa num espetáculo duma renomada cia. de teatro de BH. Havia mais de 400 pessoas na platéia, no final do espetáculo os espectadores não chegavam a 15. Só não fui embora de vergonha. Imagina, eu, um quase diretor de teatro, naquela época, que não conseguia ficar até o final de um apresentação? Não ia pegar bem.
Quando digo que gosto de ver pessoas indo embora durante um espetáculo é sério, dá pra dosar direitinho quando o espetáculo é ruim como o caso que acabei de citar, ou quando a platéia não está preparada para as escolhas artísticas da obra, como o ‘Trainspotting’. Não entender as propostas da montagem, ou não perceber o que tem por traz de uma cena mais pretensiosa é uma coisa. Agora, quanto aos espetáculos ruins, taí uma grande chance que artistas e produtores têm de melhorar seus trabalhos.
Certa vez li uma crítica jornalística sobre um espetáculo teatral do Paraná que fez um final de semana em BH, onde o crítico não media palavras para dizer o quanto o trabalho era ruim. Ruim mesmo, texto, direção, atuação e todo resto. Na verdade só o primeiro parágrafo dizia tudo, já que ele começava dizendo que mais da metade da platéia foi embora antes do espetáculo chegar na metade. Fiquei muito curioso pra saber como a companhia tinha conseguido realizar tamanho feito. Eu me recusaria a escrever sobre o espetáculo, escreveria sobre algo que valesse a pena, mas não deixaria de assistir, como também sou alvo de críticas ou fugas em massa é bom que trabalhos ruins façam parte do meu programa de fim de semana para que não entrem no meu repertório.
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
Momento raro... estou publicando um poema
não quero incomodá-lo com minhas palavras
mas não quero não dizer
e o que falo brota tão docemente de meu peito
que suavemente posso te envolver
sem qualquer problema que não se resolva facilmente
certeza eu ainda não tenho
mas procuro não pensar nessas coisas
eu só sei o que sinto
sinto-me assim quando sou eu mesmo
e o mundo não muda logo após
tento não ser redundante
tento não me repetir
qualquer texto
qualquer sentença
seria óbvia demais
e eu me explicaria sem razão
esses acontecimentos tornariam nossas vidas banais
não vejo problema nisso
outrora me incomodaria
mas numa sexta-feira como essa não me importo
procuro encontrar em seus olhos
um motivo tosco
para você me levar a sério
o resto seria desnecessário
não mais me incomodo com as palavras
ou com a falta delas
se sua mão tocar a minha
os versos de shakespeare perdem o valor
o calor do seu corpo se justificaria
frases bem feitas neste momento me deixariam confuso
verbos não combinam com você
e a certeza de seu amor por mim
fica tão clara e precisa nesta ocasião
quanto a certeza que tenho do meu amor por ti
mas são só certezas
nesta hora abro meus braços
te encontro reconfortado em meu abraço
no afago do meu colo sentindo seu cheiro
o mesmo que desperta este desejo
de te ter a todo instante
mas hoje é sexta-feira
e tenho em companhia um cálice de vinho
o pouco que sobrou de nossa embriaguez
do gosto que tem quando te beijo
quando inebriados podemos sentir mais verdadeiro
este sentimento que não sei como se escreve
mas teimo em usá-lo outra vez
codificado na palavra amor
carlos renatto
Quinta-feira, Setembro 10, 2009
De um azul que não se acredita
Sábado, Agosto 29, 2009
Segunda-feira, Julho 27, 2009
Linda, A Princesa Enfeitiçada [2]
Desde sua estréia em março deste ano, o espetáculo tem sido um sucesso e o mais impressionante é que os adultos parecem curtir muito mais que as crianças que são nosso público alvo. Fomos parar em Rio Doce num evento de formação de público, apresentamos em São Gonçalo do Bação e sei lá quantas vezes em Itabirito. Neste último fim de semana participamos do X FACE (Festival de Artes Cênicas de Conselheiro Lafaiete) e não passamos em branco pelo festival, levamos o prêmio de melhor texto original (pra mim) e 6 indicações (Melhor espetáculo, direção, figurino, cenário, melhor ator para o Hudson e atriz coadjuvante para Tainá).

Graças a este festival outras portas se abriram e a companhia recebeu muitos convites para se apresentar em outros lugares, em breve circularemos por outras cidades do interior mineiro como Barbacena, Ponte Nova e Rio espera e também Belo Horizonte, a agenda eu passo em breve. Aproveito para deixar aqui meus agradecimentos a toda equipe do X FACE que nos recebeu com muita competência e carinho, principalmente ao Geraldo Lafayette pela força e dedicação ao evento e à Secretaria Municipal de Patrimônio Cultural de Turismo de Itabirito pelo apoio e a confiança em nosso trabalho.
É isso!
Terça-feira, Junho 30, 2009
Quinta-feira, Junho 25, 2009
Conto - Maria
Pôde ainda ver a porta da sala fechar-se com violência à sua frente. O eco percorreu todos os corredores do prédio em que morava, andar por andar. E a suposta certeza de que os vizinhos já sabiam, por antecipação, o que ocorria, não mais a afligia. Ouvia se exaurir os passos do marido até o elevador, até este chegar e o levar embora para sempre.
Ele se foi.
Maria voltou a estar só.
Só!
Permaneceu sentada em seu sofá por uma, duas ou cinco horas, não se sabe. Ela se perdeu em memórias, nas poucas lembranças
que conseguiu reter. Nada de lágrimas. Nada. Tinha no sangue a força de mulheres habituadas a viverem sozinhas. Habituadas a verem partir para sempre a vida, as alegrias, os sonhos.Como tantas Marias que veio do interior sozinha, anda atrás de um sonho, atrás de qualquer coisa que não sabe muito bem o que é ou o que representará em sua vida. Veio atrás de algo que viu na TV, ainda menina, quando a luz elétrica chegou onde morava, e este fato significava muito para uma menina de 12 anos. Deixou para trás a mãe, os irmãos menores, o irmão que partiu antes dela, o pai já morto, a sina que não queria para si. Veio como o vento.
Com o que a cidade poderia representar, descobriu ainda na chegada, que mulher aqui tem que ser guerreira, mais que qualquer mulher de qualquer lugar. Mais que Maria. Mas o que aprendera na vida não era o suficiente para o que sonhara. Talvez a moça da novela soubesse coisas que deveria aprender. Com isso aprendeu a usar batom, a soltar o cabelo, a encurtar o vestido, no entanto, casou-se logo.
Mas, Maria agora anda só.
Faz o que faz qualquer mulher que veio de qualquer lugar, pois essa lida ela traz no sangue. Trabalha em casa de gente importante e na observação diária do que seria certo de se fazer aprendeu a ser importante também e a não dar importância a isso. Ficar só talvez fosse sina. Lavar, passar, cozinhar era sina, e na lida diária do que deveria ou não ser feito aprendera que sonhar também é sina pra mulher que veio de longe, assim como sabe que os sonhos que tem estão sempre onde seus pés não podem tocar.
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Quando o assunto já não é sério
Pra estes dias me convidaram para participar de uma comunidade no orkut dedicada à MPB e falar ‘algo de bom’ sobre uma determinada cantora, pois nesta mesma comunidade estavam falando mal dela (que coisa, hein?). Bom, fui ver qual é a da comunidade. São quase 400 mil membros, sei lá quantos tópicos sobre os mais variados nomes da música brasileira e cada tópico com muitos, mas muitos membros opinando. Até aqui tudo bem. Os tópicos vão dos mais interessantes aos mais imbecis. Mas vale tudo. O que me deixou realmente constrangido foi fato de um pobre e inocente membro abrir um tópico sobre um determinado artista e logo atrás virem mais de sei lá quantos membros falando mal desse artista que certamente tem pavor do orkut.Enfim, pelo pouco que percorri na comunidade, me parece que ela foi feita para uns falarem mal dos ídolos dos outros (não é isso?), já que, pra mim, há uma grande diferença entre não ‘curtir’ determinado som ou artista e desrespeitar o trabalho desse cara ou o gosto musical do outro. E respeito, ta passando longe ali.
Chega a ser estúpido quando alguém apresenta um artista novo, lançando o primeiro álbum e deixa um link para que possamos conhecer o tal trabalho, então vem uma fila de sujeitos burros e mal intencionados carregados de adjetivos do tipo: “merda, lixo, horrível e blá blá blá”, depois de ouvir uma música mal gravada no youtube. O pior é saber que é um bando de gente estúpida que não entende música e pelo tom dos comentários não entende de porra nenhuma, pois não dá pra colocar no mesmo pacote determinados artistas, cada um tem um estilo, um jeito, uma estética e tantas outras coisas que os tornam tão distintos quanto interessantes. Gostar de todos fica meio complicado, mas respeitar estas nuances é o mínimo que se pode espera de alguém que tenha pelo menos bom senso.
Há uma grande diferença entre música ruim e a música que eu não gosto, então, por favor, não vamos comparar quem já morreu com quem está apenas começando, aliás, vamos dar uma chance a quem está apenas começando. Vamos tentar entender as diferenças entre o que é pop ou rock ou samba ou tudo isso junto, e entender que não dá pra gostar de tudo. Tem coisa que não da pra comparar. Paula Toller realmente não tem nada haver com Ana Carolina, mas isso não é o fim do mundo, nem motivo pra ofensas. Zélia Duncan não se parece em nada com Marcela Biasi, mas juntas fizeram uma música belíssima e isso é ótimo. Mariana Aydar não quer roubar o lugar de Roberta Sá e vice-versa. Nara, Elis, Elizeth e Clara como tantas outras, já tiveram sua vez, mas são eternas e geniais do mesmo jeito. Diversidade é a palavra que reina em nosso cenário musical e já que não dá pra curtir uma coisa, que deixe a outra em paz ou pelo menos, deixe-nos, os fãs, livres com nossos próprios gostos musicais.
Segunda-feira, Maio 25, 2009
Conto - Quando nos casarmos
Sei que quando nos casarmos, você me levará para ver o mar. É uma vontade antiga que carrego comigo desde menina e você, para me fazer feliz como todo bom marido, se sacrificará para realizá-la. Assim que nos desposarmos num sábado pela manhã de um dia de maio, onde o outono suaviza o calor de abril e as folhas das árvores darão um charme em meu caminho até o altar, vou ter a certeza que você me levará para conhecer o mar.Carrego comigo essa vontade desde menina, deitada às margens dos rios, olhando suas águas descerem lentamente em direção ao mar. Meu pai sabia que meu olhar perdido logo atiçaria minhas vontades. Ele sempre dizia que as mulheres eram feito o mar: ‘Mudam conforme a lua e o vento é capaz de transformá-las’. E assim eu era, como as águas das chuvas que desciam pela vidraça de minha casa, assim como as enxurradas que passavam em frente ao meu portão e se encaminhavam para o rio e logo em seguida o mar. Por isso a minha vontade, ainda menina, era ser chuva.
Nesse tempo, disse a meu pai que queria conhecer o mar, lembro-me de sua voz dizendo: ‘deixo para que seu marido a leve logo após se casarem’. Disso eu já sabia. Minha mãe, também quando menina, quis conhecer o mar. Como todas as mulheres ela quis descer os rios e ser levada até o mar. Por isso, seu pai tratou logo de casá-la para que seu marido a levasse ao mar. Meu pai sabia das coisas e sabia que essa vontade também me acometeria, por isso tratou logo de me trazer você.
Tem sido assim por muito tempo e nós casaremos por uma vontade antiga das mulheres da minha família. Num dia de maio, bem sei. Eu vestida de branco caminhando sobre as folhas que outono despejará sobre meu caminho. O caminho que me levará até você. Então nos veremos felizes e com um sorriso ansioso assentiremos um com o outro.
Depois, eu já não sei, quando voltarmos teremos que nos esforçar para nos amar, para nos conhecer, para o resto da vida. Depois desse dia não sei mais o que será. Uns dizem que o mar transforma as pessoas. Talvez as mulheres, os homens não sei. Umas voltam felizes, outras nem tanto. Já ouvi dizer de mulheres que nunca voltaram. Ficaram pelo caminho. Por isso, tento não me preocupar com a volta. Em como será quando estiver em nossa casa e nossos filhos chegarem, um após o outro, e nós dois já transformados pela brisa não teremos mais com o que sonhar.
Mas não quero que se entristeça por isso. Não agora. Daqui a um tempo, quando estivermos bem velhinhos e sentados na varanda de nossa pequena casa olharemos nossas velhas fotos, nos lembraremos do mar, do seu cheiro, de sua brisa e da certeza que tínhamos quando, felizes, caminhávamos de mãos dadas pela areia.
Sábado, Maio 16, 2009
Crítica - Onde brilhem os olhos seus
E foi levantando a platéia ao som de ‘Sinhá Pureza’ que Fernanda Takai encerrou o registro do show ‘Onde Brilhem os olhos seus’ na noite dessa quinta-feira 14 de maio no Teatro Municipal de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, um teatro aconchegante que recebeu muito bem esse show fazendo com que a anfitriã se sentisse em casa.E estava em casa mesmo, Fernanda, que já morou em Nova Lima, deslizava muito a vontade no palco. Desenvolta e falante com nunca, ela transformou sua aparente timidez em aliada e entre uma música e outra trazia a platéia cada vez mais para junto de si com casos engraçados e os porquês das escolhas do seu repertório. Fernanda não perdeu o humor nem mesmo quando esqueceu o segundo versinho de ‘Lindonéia’, o que a fez recomeçar a música duas vezes.
Fernanda Takai é vocalista do grupo de pop/rock Pato Fu há 17 anos, e este tempo com a banda lhe trouxe a maturidade necessária para se arriscar neste voo solo. ‘Onde brilhem os olhos seus’ foi lançado no final de 2007 consecutivamente aqui no Brasil e no Japão, mais tarde foi lançado na China, Argentina e Portugal, países tão diferentes e inusitados como os novos arranjos para cada música cuidadosamente retirada do repertório de Nara Leão e que nas mãos de John Ulhoa e Lulu Camargo ganharam ares pop. Ainda em 2007 este álbum recebeu o APCA de melhor disco de música popular e entre outros prêmios, recentemente ganhou o Disco de Ouro pelas 50 mil cópias vendidas.
A turnê de ‘Onde brilhem os olhos seus’ percorreu meio país e não poderia deixar de ganhar esse merecido registro em DVD. Fernanda Takai levou todas as músicas do disco para o palco, “por um lado é bom, pois vamos tocar as músicas preferidas de todo mundo’ disparou Fernanda logo no início da noite. Além das 13 músicas contidas no álbum e ‘Kobune’, versão em japonês de ‘O barquinho’ presente na edição japonesa do disco, ainda sobrou espaço para os gostos pessoais de Fernanda como ‘There must be an angel’ do grupo inglês Eurythmics, ‘Ordinary world’ do Duran Duran e ‘Ben’ de Michael Jackson, músicas que Nara nunca gravou, mas que caíram muito bem nesse repertório e no gosto do público. Além dessas, para o nosso deleite, foram incluídas ‘Você já me esqueceu’ gravada por Roberto Carlos em 72, o ‘Rítimo da Chuva’ e a novidade nesse show ‘Cinco Discos’ da Fernanda e do John, gravada anteriormente por Pedro Mariano. E finalmente, para encerrar a noite ‘Sinhá Pureza’ de Pinduca, um carimbó que Nara não gravou, mas que evoca claramente as origens de Fernanda, que nasceu no Amapá.

E desse modo Fernanda Takai encerra a noite mostrando bom gosto e um refinamento impar ao se apropriar do repertório de Nara Leão sem perder sua personalidade e abandonar suas raízes pop. O resultado disso foram os calorosos aplausos de fãs de origens e idades tão diversas que se misturavam entre os fãs de Nara e os eufóricos fãs do Pato Fu, mas que nesta noite e para este registro, estavam ali para aclamar uma grande artista que vive um dos melhores momentos de uma sólida carreira.
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Sábado, Abril 25, 2009
Crítica - Corpo Casa Casca
Digressão continua sendo a marca principal na criação do artista plástico Walter Martins. Com seu mote no corpo humano como morada e a própria morada do corpo humano e todas as suas fragilidades, o artista apresenta, esta que é sua segunda individual, a exposição Corpo Casa Casca conta com 18 obras criadas a partir dos mais variados tipos de objetos e materiais e o deslocamento de suas funções usuais, oscilando entre escultura, pintura e instalação.


